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“A Minha História Sobre a Medicina Tradicional Chinesa” — A Embaixada da China em Portugal lança concurso de vídeos aberto a residentes em Portugal e Macau


Numa iniciativa que celebra séculos de diálogo entre duas civilizações, a Embaixada da República Popular da China em Lisboa convida cidadãos residentes em Portugal e em Macau a partilharem as suas experiências pessoais com a Medicina Tradicional Chinesa, num concurso de vídeos de curta duração que ficará aberto até 31 de maio de 2026.

A Embaixada da China em Portugal anunciou o lançamento do concurso de vídeos de curta duração intitulado “A Minha História Sobre a Medicina Tradicional Chinesa”, uma iniciativa cultural e científica que visa aprofundar o intercâmbio entre Portugal e a China na área da saúde milenar. O projeto é coorganizado pela Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau e pelo Centro Sino-Português de Medicina Chinesa, e constitui mais um capítulo de uma relação histórica que remonta ao século XVI — altura em que navegadores portugueses se tornaram os primeiros europeus a estabelecer contacto direto e duradouro com a China imperial.

Para a Associação Profissional de Medicina Tradicional Chinesa, esta iniciativa representa não apenas uma oportunidade de visibilidade para a comunidade praticante e utilizadora da MTC em Portugal, mas também um momento de reflexão sobre o papel único que o nosso país sempre desempenhou como ponte entre o Ocidente e o Oriente. Portugal foi, durante séculos, a principal porta de entrada do conhecimento médico e farmacológico chinês na Europa — e hoje, essa herança continua viva nas clínicas, escolas e práticas de milhares de portugueses.

Portugal e a China: Quinhentos Anos de Encontro

A ligação entre Portugal e a China é uma das mais antigas e profundas que a Europa estabeleceu com o Oriente. Em 1513, o navegador Jorge Álvares foi o primeiro europeu a chegar à costa da China continental, abrindo caminho para uma relação que moldaria o próprio mundo moderno. Apenas quatro décadas depois, em 1557, Portugal obteria autorização para se estabelecer em Macau — um pequeníssimo território que se tornaria, ao longo de séculos, um dos mais extraordinários laboratórios de convivência civilizacional da História.

Macau foi durante trezentos anos o único porto de entrada do comércio entre o Ocidente e a China imperial. Por ali passaram não apenas a seda, a porcelana e as especiarias, mas também ideias, filosofias, técnicas e saberes. Os missionários jesuítas que acompanhavam as caravanas portuguesas tornaram-se os primeiros tradutores e divulgadores do pensamento confuciano na Europa, enquanto introduziam em território chinês as ciências e artes ocidentais. Este intercâmbio foi simultaneamente político, económico, filosófico e, de forma muito significativa, médico.

Macau foi, durante séculos, o portal por onde o saber médico da China chegou ao Ocidente — e por onde o Ocidente conheceu a arte de curar segundo os princípios do equilíbrio e da harmonia vital.

Os primeiros relatos europeus sobre a acupunctura, sobre o uso terapêutico de ervas como o ginsém, o astragalus e a artemísia, e sobre as práticas de diagnóstico pelo pulso chegaram à Europa em grande parte através de autores portugueses e de textos circulados pelas redes jesuítas com base em Macau e Goa. O médico português Garcia de Orta, com a sua obra monumental Colóquios dos Simples e Drogas da Índia (1563), foi um dos primeiros a documentar e a colocar em diálogo as tradições medicinais orientais e ocidentais — inaugurando uma longa tradição de curiosidade científica que Portugal nunca abandonou.

A Medicina Tradicional Chinesa no Contexto Luso-Sínico

A presença da Medicina Tradicional Chinesa em Portugal não é, portanto, um fenómeno recente. Ela acompanhou a história da presença portuguesa no Oriente, infiltrando-se nas práticas quotidianas, nas boticas e, mais tarde, nas escolas de medicina. No século XVII, o padre Alexandre de Rhodes e outros missionários já documentavam, com admiração, os resultados obtidos pelos médicos chineses no tratamento de doenças que afligiam tanto populações locais como os próprios portugueses residentes em Macau.

Macau, neste contexto, foi sempre uma encruzilhada única. Durante a segunda metade do século XX, quando Portugal manteve a soberania sobre o território até à sua transferência para a República Popular da China em 1999, Macau consolidou-se como centro de investigação e prática da MTC com padrões reconhecidos internacionalmente. A Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau, coorganizadora deste concurso, representa hoje uma das instituições de referência mundial no ensino e na investigação académica sobre a Medicina Tradicional Chinesa — e a sua parceria com Portugal neste projeto é, em si mesma, um testemunho da continuidade histórica dessa relação.

Em Portugal, o reconhecimento oficial das medicinas não convencionais, consagrado na Lei n.º 45/2003, e a regulamentação específica da Medicina Tradicional Chinesa constituíram marcos históricos que colocaram o nosso país na vanguarda europeia na integração destas práticas nos sistemas formais de saúde. A acupunctura, a fitoterapia chinesa, a massagem tui-ná e outras modalidades da MTC são hoje praticadas por profissionais certificados, inseridos numa estrutura legal que garante qualidade e segurança aos utentes.

Uma Linha do Tempo de Encontros

1513

Primeiro contacto europeu com a China

Jorge Álvares chega à costa sul da China, inaugurando a relação direta entre Portugal e o Império do Meio — a mais longa relação diplomática ininterrupta entre a China e uma nação europeia.

1557

Estabelecimento de Macau

Portugal obtém autorização para se fixar em Macau, que se torna o principal entreposto do comércio sino-europeu e o primeiro espaço de convivência cultural profunda entre as duas civilizações.

1563

Garcia de Orta e os saberes do Oriente

Publicação dos Colóquios dos Simples e Drogas da Índia, obra pioneira que documenta plantas medicinais e práticas terapêuticas orientais, antecipando o diálogo entre a farmacologia europeia e a medicina chinesa.

Séc. XVII–XVIII

Os jesuítas como mediadores do saber médico

Missionários com base em Macau traduzem e divulgam textos de medicina chinesa na Europa, introduzindo conceitos como o qi, o diagnóstico pelo pulso e o uso terapêutico das ervas.

1999

Transição de Macau e nova era de cooperação

A transferência de Macau para a República Popular da China não encerra a relação com Portugal — inaugura antes um novo capítulo, de cooperação entre iguais, no qual a MTC ocupa um lugar central.

2003

Reconhecimento legal da MTC em Portugal

A Lei n.º 45/2003 reconhece oficialmente a Medicina Tradicional Chinesa como prática terapêutica regulamentada, colocando Portugal na vanguarda europeia na integração desta medicina nos sistemas formais de saúde.

2026

Concurso “A Minha História Sobre a MTC”

A Embaixada da China em Lisboa lança um concurso de vídeos que convida residentes em Portugal e Macau a partilharem as suas experiências com a MTC — mais um capítulo de um diálogo que dura há cinco séculos.

O Concurso: Detalhe Completo

O concurso de vídeos de curta duração, promovido pela Embaixada da República Popular da China em Portugal, encontra-se aberto desde o dia 1 de abril de 2026 e receberá candidaturas até ao dia 31 de maio. Podem participar todas as pessoas que residam habitualmente em Portugal ou em Macau, independentemente da sua nacionalidade ou formação específica na área da saúde.

O tema central é “A Minha História Sobre a Medicina Tradicional Chinesa”, e os participantes são convidados a relatar, de forma pessoal e autêntica, como a MTC se integra nas suas vidas e nas das suas famílias ou amigos. O regulamento sublinha que o conteúdo deve ser positivo, refletir os princípios de “preservar a essência, respeitar a ciência e promover a saúde”, e respeitar as legislações e costumes vigentes na China e em Portugal.

Os vídeos devem ter uma duração aproximada de três minutos (máximo de cinco minutos) e uma resolução mínima de 720P. A narração pode ser apresentada em chinês, português ou inglês, com a obrigação de incluir legendas: obras em chinês ou inglês devem ser legendadas em português; obras em português devem incluir legendas em inglês. Esta exigência bilingue reforça o carácter intercultural da iniciativa e garante que as histórias possam ser apreciadas tanto pelo público português como pelo público de língua chinesa.

Concurso de Vídeos — Informação Essencial

Organizado pela Embaixada da China em Portugal · Coorganizado pela UMAC e pelo Centro Sino-Português de Medicina Chinesa

1.º Prémio

800€

2 vencedores + certificado

2.º Prémio

400€

4 vencedores + certificado

3.º Prémio

200€

8 vencedores + certificado

Período de submissão1 de abril — 31 de maio de 2026

Duração do vídeo~3 minutos (máx. 5 min) · mín. 720P

Idiomas aceitesChinês, Português ou Inglês (com legendas)

ResultadosFinal de junho · Cerimónia em Lisboa

Contactotcmstory@outlook.com

AvaliaçãoJúri (60%) + impacto nas redes sociais (40%)

Submeter candidatura →

Como Participar

O processo de participação é simples: os concorrentes devem primeiro publicar os seus vídeos numa plataforma de redes sociais — YouTube, Instagram, TikTok, Facebook, X, entre outras — e, em seguida, preencher o formulário de inscrição disponível no link acima. As obras selecionadas serão exibidas no canal temático “A Minha História Sobre a Medicina Tradicional Chinesa” no YouTube e em outros meios de comunicação associados à organização.

A classificação final combina dois critérios: o impacto nas redes sociais, medido pelas visualizações, gostos, partilhas e qualidade dos comentários até ao dia 15 de junho (com um peso de 40%), e a pontuação atribuída por um júri designado (com um peso de 60%). Esta fórmula garante que as obras com maior alcance e repercussão pública são premiadas, mas assegura também que a qualidade artística e narrativa é o fator predominante na seleção final.

Os resultados serão anunciados no final de junho de 2026, e a cerimónia de entrega de prémios terá lugar em Lisboa, com data e local a anunciar posteriormente.

Uma Oportunidade Para a Comunidade da MTC em Portugal

A Associação Profissional de Medicina Tradicional Chinesa incentiva vivamente todos os seus associados, estudantes, praticantes e utentes a participarem neste concurso. Trata-se de uma oportunidade única para dar visibilidade às experiências transformadoras que a MTC proporciona quotidianamente — não apenas como sistema de saúde, mas como filosofia de vida, como forma de olhar para o corpo, para o tempo e para a relação entre o ser humano e a natureza.

As histórias que Portugal tem para contar sobre a Medicina Tradicional Chinesa são ricas e diversas: desde o praticante que encontrou na acupunctura o alívio para uma dor crónica que nenhum outro tratamento conseguiu resolver, até à família que cultiva chás medicinais herdados de gerações anteriores de emigrantes chineses em Lisboa; desde o estudante universitário que decidiu integrar a medicina ocidental e a oriental na sua prática clínica, até ao idoso que encontrou no qi gong uma nova vitalidade. Cada história é única. Cada história merece ser contada.

Este concurso é, em última análise, um convite ao diálogo — o mesmo diálogo que começou há quinhentos anos, quando os primeiros navios portugueses fundearam ao largo de Cantão e dois mundos, de costas voltadas durante milénios, se olharam pela primeira vez. Hoje, esse encontro continua, e a Medicina Tradicional Chinesa é um dos seus capítulos mais belos.

Fonte: Embaixada da República Popular da China em Portugal


Notícia elaborada pela APAMTC · Associação Profissional de Medicina Tradicional Chinesa